lEITURAS DE VERÃo 2020



Num ano de tantas incertezas e de grandes desafios impostos pela pandemia, a edição de verão do Clube de Leitura – Vamos a Livros apresenta um conjunto de sugestões de leitura que, esperamos, possam vir a estimular o relaxamento, a calma, o equilíbrio e a leveza, além do entendimento acerca do momento presente.
A lista de sugestões, criada a partir de contributos da comunidade FEUP, aguarda a sua participação. Envie-nos as suas propostas de leitura para agora@fe.up.pt até ao dia 31 de julho de 2020, acompanhadas de uma nota explicativa sobre a escolha das obras propostas.
O empréstimo de exemplares do acervo da Biblioteca da FEUP está sujeito às condições de funcionamento que podem ser
consultadas aqui .

Boas férias e boas leituras!

Adelaide Gil
Serviços de Documentação e Informação

A obra “Alma e o mar” surpreendeu-me muitíssimo. Podem crer que o facto de ser em galego, não é impeditivo. Trata-se de “unha novela en que se tecen un thriller, a reivindicacin feminista e o retrato dunha protagonista que non quere ser heroína e que nos amosa a afouteza dunha muller do noso tempo...”.
Recomendo também “Caravaggio”. Sem saber praticamente nada sobre aquele que é considerado o primeiro representante do estilo barroco, nem sobre as suas obras, este romance “cruelmente divertido” transportou-me para o fim do século XVI “numa prosa bem-humorada, blasfema e por vezes brutal”.
E, finalmente, sugiro um livro de Michael Palin, sobejamente conhecido como comediante (Monty Python) mas também pelos seus documentários sobre viagens. Aqui está um destino de viagem a não tomar de ânimo leve .

SUGESTÕES DE OBRAS

Alma e o mar, de Francisco X. Fernández Naval (Editorial Galaxia, 2017)
Caravaggio, de Christopher Peachment (Temas e Debates, 2004)
Diário da Coreia do Norte, de Michael Palin, (Bizâncio, 2019)

Anabela Silva
Serviços Económico-Financeiros

Estas são as minhas sugestões de leitura, escolha difícil no meio de tantos livros que gosto: “Pilares da terra”, de Ken Follett, é um livro envolvente e apaixonante, principalmente a parte I. Para mim, fala de amor, de entrega e da força do querer. Dei por mim muitas vezes a chorar e a rir e as pessoas a olhar para mim no autocarro. Este autor é muito bom.
A “Praia do destino”, de Anita Shreve, é uma história de amor entre uma menina e um homem. No início um pouco difícil e aborrecido, mas depois das primeiras páginas, não conseguia parar. É um livro com muita força e mostra que uma relação que é considerada crime pode ter muito de pura, quando há amor envolvido.
Também gosto muito do autor John Grisham – “Tempo de matar”, a “Firma” e o “Dossier Pelicano” são os meus preferidos. São livros com uma trama muito bem montada, surpreendentes e que nos fazem estar à espera da reviravolta seguinte. Gosto muito de John Grisham. .

SUGESTÕES DE OBRAS

Pilares da terra, de Ken Follett (Editorial Presença, 2008)
Praia do destino, de Anita Shreve (Edições ASA, 2004)

Outras obras deste autor, em inglês, na Biblioteca FEUP:
The partner, John Grisham (Century Books, 1997)

The brethren, John Grisham (Arrow Books, 2000)

Catarina Carvalho
Departamento de Engenharia Informática

Sou uma ávida leitora e tenho algumas sugestões das minhas leituras nos últimos meses: Qualquer livro do Joël Dicker, principalmente "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Este é um thriller cheio de reviravoltas inesperadas e que prende o leitor até altas horas da noite. Todos os livros deste autor são verdadeiras pérolas de suspense ;).
A “Praia de Manhattan” (Jennifer Egan), um livro que descreve as condições de vida em Nova Iorque durante a segunda guerra mundial, e o papel das mulheres na sociedade com algum romance à mistura.
“Anne of Green Gables” (L.M Montogomery - em Inglês), um livro que nos faz voltar à infância, que nos faz sentir o verão e o poder das amizades e do amor. Fala também de um Canadá desconhecido da maior parte das pessoas.
“Longa Pétala de Mar” (Isabel Allende) no qual, mais uma vez, factos históricos são combinados com romance. Este livro descreve as antigas crises de "migrantes". Faz nos analisar os problemas da sociedade atual na perspetiva de quem perdeu tudo.

SUGESTÕES DE OBRAS

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker (Alfaguara Portugal, 2019)
A Praia de Manhattan, de Jennifer Egan (Quetzal Editores, 2018)
Anne of Green Gables, de L. M. Montgomery (Penguin Random House Children's UK, 2014)
Longa Pétala de Mar, de Isabel Allende (Porto Editora, 2019)

Cristina Sousa Lopes
Serviços de Documentação e Informação

Escolho três livros que foram leituras de férias em verões passados. Muito diferentes entre si, foram uns bons companheiros de viagem. E como é bom associarmos os livros de que gostamos aos sítios por onde andamos, ou os sítios aos livros que lemos. São memórias associativas que nos deixam mais ricos e que perduram no nosso imaginário. Eis algumas palavras sobre como cada um contribuiu para abrilhantar ainda mais esses dias.
“O idiota”, de Fiódor Dostoiévski, é uma história de um príncipe, homem “positivamente bom”, com tanto de ingénuo como de calculista, de humilde como de implícita vaidade. Uma trama, em que sobressaem as intrigas da nobreza russa e decadente do século XIX, os problemas sociais, amores e desamores. Uma história de como a realidade transforma as qualidades humanas, humildade, beleza...
“O mistério da estrada de Sintra”, de Eça de Queirós foi uma leitura que me acompanhou numa das últimas visitas à serra da Sintra e cuja leitura serviu de pano de fundo para desfrutar aquela bela paisagem encantatória e misteriosa. Um enredo policial, com muito de passional, escrito a duas mãos por dois grandes escritores, Eça e Ramalho Ortigão, que antes de ser livro foi publicado sob a forma de cartas anónimas no jornal Diário de Notícias, deixando muitos leitores ansiosos pela resolução do intrigante mistério.
“Semente de bruxa”, de Margaret Atwood no qual, numa escrita mordaz e cativante, é-nos contada a história de um encenador outrora famoso que vive atormentado por um desejo de vingança e demanda de justiça. A oportunidade surge quando retoma um projeto inacabado de encenação da tempestade de Shakespeare numa prisão. É nesse cruzamento do teatro e literatura que consegue uma forma de redenção e libertação que arrebata todos os envolvidos.

SUGESTÕES DE OBRAS

O idiota, de Fiódor Dostoiévski (Presença, 2002)
O mistério da estrada de Sintra, de Eça de Queirós (11 X 17, 2011)
Semente de bruxa, de Margaret Atwood (Bertrand, 2018)

Diana Rosa
Gabinete de Secretariado da Direção

Gostei muito dos livros de Stieg Larsson. Para mim são viciantes, com personagens complexas e interessantes que nos mantém agarrados até ao final de cada livro.
Destaco também “Os interessantes” de Meg Wolitzer. Este livro não tem um enredo do outro mundo, mas fala de temas que todos nós vivemos. Fala das expectativas e da pressão que pomos em nós mesmos desde cedo e de como, progressivamente, todos os planos vão caindo para dar lugar a outras coisas.

SUGESTÕES DE OBRAS

A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, de Stieg Larsson (Leya, 2013)
Os homens que odeiam as mulheres, de Stieg Larsson (Leya, 2013)
Marina, de Carlos Ruìz Zafón (Planeta, 2010)
Os interessantes, de Meg Wolitzer (Teorema, 2014)
O cego de Sevilha, de Robert Wilson (Dom Quixote, 2004)

Fátima Araújo
Gabinete de Secretariado da Direção

Da lista apresentada, realço “Os Maias” que reli há pouco tempo. Quase sem surpresa, encontrei uma semelhança entre os inícios do século XX, aquando da sua escrita, e os inícios do século XXI em que vivemos: “O Portugal dos condes de Gouvarinho, dos banqueiros ociosos, dos jornalistas venais, dos ‘dandies’ pretensiosos e inúteis, mas também dos Joões da Ega e dos Carlos da Maia inconsequentes e igualmente inúteis.”

SUGESTÕES DE OBRAS

Os Maias: episódios da vida romântica, de Eça de Queirós (Livros do Brasil, 2000)
Lobo Vermelho, de Liza Marklund (Porto Editora, 2013)
O Traidor, de Nelson DeMille e Alex DeMille (Marcador, 2020)

Fernando Oliveira
Departamento de Engenharia Mecânica

Os temas dos livros que sugiro são diversificados e muito úteis nos tempos que passam.

SUGESTÕES DE OBRAS

Os Inimigos Íntimos da Democracia, de Tzvetan Todorov (Edições 70, 2017)
Erros Geniais que Mudaram o Mundo, de Mário Lívio (Marcador, 2018)
O Naufrágio das Civilizações, de Amin Maalouf (Marcador, 2020)
O Beco da Liberdade, de Álvaro Laborinho Lúcio (Quetzal Editores, 2019)

Francisco Calheiros
Departamento de Engenharia Civil

Sou um leitor omnivoro e voraz. A minha ementa de hoje seria esta:
1. Lídia Fernandes, Viagem ao passado Romano na Lusitânia. Vamos ao teatro, o que vestíamos, como arranjávamos os cabelos, etc. Um roteiro do país romano.
2. Ana Cristina Silva, Crónica do rei-poeta Al-Mu’tamid. Por nem todos os árabes são iguais.
3. Rui Zink, A instalação do medo. Porque o medo, com a ignorância fazem os indivíduos, os estados e todas as organizações funcionarem disparatadamente. Devidamente torturados os números confessam tudo: Na última reunião no Infarmed o número Pi saiu do armário e confessou que era par.
4. Leonor Costa, Pedro Lains e Susana Miranda, História Económica de Portugal: é melhor sabermos como chegamos aqui.
5. Úrsula K. Leguin. A mão esquerda das trevas: só há um género, o género humano. Autora de culto que nos fala de futuros e passados possíveis. Ficção científica com componente sociológica.

SUGESTÕES DE OBRAS

Viagem ao Passado Romano na Lusitânia, de Lígia Fernandes (A Esfera dos Livros, 2016)
Crónica do Rei-Poeta Al-M u’Tamid, de Ana Cristina Silva (Editora Presença, 2010)
A Instalação do Medo, de Rui Zink (Teodolito, 2012)
História Económica de Portugal: 1143-2010, de Leonor Freire Costa (A Esfera dos Livros, 2011)
A Mão Esquerda das Trevas, de Ursula K. Le Guin (Editora Presença, 2003)

Hermínio Fernandes
Serviço de Documentação e Informação

Destaco um livro de Elias "Elie" Wiesel (1928-2016), escritor judeu e sobrevivente dos campos de concentração nazi, que recebeu o Nobel da Paz em 1986 pelo conjunto da sua obra, dedicada a resgatar a memória do Holocausto e a defender outros grupos vitimas de perseguições.
Desconheço a sua origem, mas sempre fui um interessado pela leitura e visionamento de documentos relacionados com a II Guerra Mundial, sobretudo os relacionados com o impacto social que um “acontecimento” destes coloca às sociedades – nos seus aspetos mais simples, mas de grande impacto na vida quotidiana das pessoas, nomeadamente junto de alguns grupos em particular… para ser simpático nas palavras.
Tive o “privilégio” de conhecer e ter tido a oportunidade de privar com um Homem de nacionalidade portuguesa, de Viana do Castelo – no Centro Cultural francês da cidade do Porto nos anos 80/90, detido em Paris, que sobreviveu a passagem pelos campos de concentração e de trabalho forçados alemães… nunca me esquecerei do olhar profundo, da tranquilidade, da simplicidade, mas simultaneamente da dor que tal experiencia tinha provocado e deixado marcas para a vida.
Como alguém disse: “Para que nunca mais volte a acontecer… e para que muitos saibam o que se passou!”.
Hoje mais do que nunca, é um livro para nos ajudar a refletir acerca das prioridades a ter em conta na organização das nossas sociedades.

SUGESTÕES DE OBRAS

Noite, de Elie Wiesel (Texto Editora, 2003)
Amantes de Buenos Aires, de Alberto S. Santos (Porto Editora, 2019)
leitura a decorrer…

Outros livros de boas memórias… entre dezenas de tantos outros…
As Aventuras do menino Nicolau, de Sempé e René Goscinny
A Trilogia Nikopol: A Feira dos Imortais, A Mulher Armadilha, Frio Equador de Enki Bilal (banda desenhada)
O Nome da Rosa de Umberto Eco
A Terceira Vaga de Alvin Toffler
A Missão social do bibliotecário de Cruz Malpique
Sem penas de Woody Allen

Inês Gonçalves
Serviços de Imagem, Comunicação e Cooperação

“Sem papas na língua” é uma verdadeira viagem às memórias da Beatriz Costa. Para além de ter sido uma atriz com muita pilhéria, na sua vida pessoal teve oportunidade de viajar pelo mundo inteiro e privou com nomes tão sonantes como Salvador Dali, Lana Turner ou Pablo Picasso para nomear apenas alguns. Escrito com toda a graça que lhe era conhecida numa linguagem desempoeirada típica dos saloios da sua terra natal, Charneca do Milharado em Mafra e da qual ela tanto orgulho tinha. A descrição dos usos e costumes repleta de sátira tornam este livro uma leitura divertida e ao mesmo tempo instrutiva de usos e costumes que caraterizaram a sociedade portuguesa da sua época.
Escolho também “A Duquesa de Mântua”, que não é um romance histórico, mas antes a compilação da correspondência ainda existente entre Margarida de Mântua e vários personagens históricos e que relata vários episódios desta princesa italiana que foi Vice-rainha de Portugal durante a ocupação filipina no nosso país.
Por último, sugiro um mistério de Hércule Poirot. Para que este livro fosse escrito, os herdeiros da escritora Agatha Christie deram pela primeira vez autorização para que o personagem do famoso detetive fosse utilizado numa obra escrita por outra autora que não a criadora.

SUGESTÕES DE OBRAS

Sem Papas na Língua. Memórias, de Beatriz Costa (Publicações Europa-América, 2003)
A Duquesa de Mântua, de Joana Bouza Serrano (A Esfera dos Livros, 2016)
Os Crimes do Monograma, de Sophie Hannah (Asa, 2014)

João Falcão e Cunha
Diretor

Gostei muito destes três livros, muito diferentes em temas e estilos. Se não os tivesse terminado, o mais provável seria não ter gostado…
O que mais gostei foi “Escravidão” visto ter sido aquele que mais informação tinha que eu desconhecia e porque iniciei a sua leitura no período de crescimento da pandemia do COVID-19 na Europa e em Portugal. Além disso, quase no final da minha leitura, como consequência do assassinato de George Floyd, agudizou-se em muitas regiões do mundo um movimento sobre este tema, com muito impacto na comunicação social. A história da escravatura é muito antiga, atravessou uma parte importante da história de Portugal de forma aceite pela generalidade da sociedade, até à sua ilegalização formal. A escravatura permanece ainda na nossa sociedade e na sociedade global, por vezes dissimulada sob formas variadas, menos visíveis. Considero que conhecer a História é importante para evitarmos cometer os mesmos erros, entendermos quem somos e procurar que a nossa sociedade seja melhor e mais feliz do que a sociedade passada. Ou seja, mais segura, mais justa e mais livre.

SUGESTÕES DE OBRAS

Escravidão – Vol. 1: Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares, de Laurentino Gomes (Globo Livros, 2019)
mais recentemente lido, entre fevereiro e maio de 2020

Da Troika à Geringonça, de Luís Reis (Guerra & Paz, 2020)
lido, em janeiro de 2020

O Terrível - A Grande Biografia de Afonso de Albuquerque, de José Manuel Garcia (A Esfera dos Livros, 2017)
lido, antes de 2020

Marta Mota
Serviço de Documentação e Informação

“Destemidas” é uma banda desenhada que relata a biografia de 15 mulheres que marcaram o nosso mundo. Uma forma leve e descontraída de conhecer mais um pouco destas cientistas, atrizes e ativistas que lutaram para concretizar os seus sonhos. Os relatos são acompanhados de um grafismo simplesmente delicioso que cativa o leitor a cada desenho.
“Se isto é um homem” é um murro no estômago a cada página, relatada na primeira pessoa! Diretamente dos campos de concentração nazi para as páginas no livro, sofremos com o autor que, com a sua força de viver, acaba por nos dar esperança no futuro. Sobreviveu para contar, e as palavras dele devem estar gravadas na nossa mente para não cometermos os erros do passado.
“O boneco de neve” é um policial envolvente que não nos deixa pousar o livro. “É só mais uma página, é só mais uma página…” Jo Nesbo escreve com fluidez e agarra o leitor logo na primeira página. Harry Hole é um polícia anti-herói que usa métodos pouco ortodoxos para resolver os crimes, mas que nos cativa a cada descoberta. São de realçar outras obras de Jo Nesbo com Harry Hole no comando das operações de resolução de crimes. Não se fiquem apenas pelo boneco de neve….

SUGESTÕES DE OBRAS

Destemidas: mulheres que só fazem o que querem, de Pénélope Bagieu (Levoir, 2018)
Se isto é um homem, de Primo Levi (Público, 2002)
O boneco de neve, de Jo Nesbo (Dom Quixote, 2013)

Nuno Andrade
Serviços de Documentação e Informação

Começo por destacar “Breve história de quase tudo” de Bill Bryson. É um livro de divulgação científica que nos faz perceber, entre outras coisas, que pessoas e instituições tiveram um papel importante no desenvolvimento da ciência.
“A Vida” de Paulo Coelho é um livro com uma mensagem de esperança, que vem a calhar para estes tempos de pandemia.
E porque é um clássico que vale a pena ler e reler, sugiro ainda “Mensagem” de Fernando Pessoa.

SUGESTÕES DE OBRAS

Breve história de quase tudo, de Bill Bryson (Quetzal, 2005)
Mensagem, de Fernando Pessoa (Ática, 1997)
Vida, de Paulo Coelho (Arteplural, 2004)

Paulo Marrocos
Mestrado Integrado em Engenharia Química

É comum no verão o desejo de viajar: muitas vezes para cidades diferentes ou países longínquos a fim de se impressionar e apreciar as maravilhas do mundo. Não apenas por isto, é frequente a viagem ter como objetivo uma jornada interior, em que o ser humano conhece a si mesmo através da experiência que viveu. No entanto, diversos fatores podem impedir a realização deste desejo de viagem, e vive-se agora um fator limitante que atrasará, não por muito tempo, as viagens de alguns e os sonhos de outros.
Felizmente, a literatura proporciona uma maneira através da qual o peso do corpo não torna impossível a viagem: o bom livro se torna um portal pelo qual pode-se visitar outras localizações do mundo, ou até outros mundos que de outra forma seriam apenas ideias. A literatura fantástica, frequentemente, propõe a visita a mundos diferentes do nosso, oferecendo uma viagem para o aparentemente impossível. Dentro deste género, recomendo "O Nome do Vento", de Patrick Rothfuss, o qual conta a história de um bardo, algo como um poeta cantor, e sua aventura de descobrimento não apenas do mundo de Temerant, como também de si próprio. A história proporciona um ambiente universitário, no qual o protagonista é um aluno, e que serve como meio através do qual os mistérios deste mundo são revelados ao leitor e ao protagonista.
Como segunda recomendação, deixo "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis. Obra revolucionária, que é por muitas vezes considerada como responsável por começar o movimento literário do Realismo no Brasil, acompanha Brás Cubas, o qual decide contar sua própria história de vida depois de ter morrido, levando a ele se considerar um "autor-defunto". Repleto de ironia, a obra tem como ambiente principal o Rio de Janeiro, local muito desejado durante o verão. Se alguns outros animais desenvolveram asas para voar e viajar, o homem decidiu desenvolver outras ferramentas, dentre as quais um bom livro.

SUGESTÕES DE OBRAS

O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss (Edições Gailivro, 2019)
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (Cotovia, 2005)

Paulo Vasques
Comissariado Cultural

Memórias de leitura: Sempre me interessei por ler textos de artistas. Encontro neles pontos de contacto que intensificam a relação com a obra de arte e o discurso autoral, tantas vezes desafiante e enigmático. "Entre o Céu e a Terra" do escultor português Rui Chafes (Prémio Pessoa, em 2015) trata-se de uma autobiografia ficcionada que nos leva até bem perto de algumas obras de arte e seus respetivos autores, tidos como referências para o escultor. Nestas aproximações, o autor conduz-nos até dentro das oficinas dos seus "mestres", e convoca o leitor (que é também público) no exigente, mas fascinante, exercício de questionamento que a arte nos deve suscitar.”

SUGESTÕES DE OBRAS

Entre o Céu e a Terra, de Rui Chafes (Documenta, 2012)
Se fosse um intervalo, de Ana Luísa Amaral (Dom Quixote, 2009)
Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo (Caminho, 2015)

Rosário Edmonds
Serviços de Documentação e Informação

Escolho o romance distópico “A História de Uma Serva” por ser tão perturbador. Uma república totalitária e teocrática onde o papel da mulher é reduzido a nada. Um lugar onde as mulheres não podem pensar, um mundo em que as mulheres férteis perdem os seus direitos e são transformadas em servas para engravidar dos seus comandantes já que as esposas destes são estéreis. É um romance muito interessante porque aborda temas, infelizmente, muito atuais como o preconceito, o machismo, liberdade de expressão, violência, violação e aborto.

SUGESTÕES DE OBRAS

A História de Uma Serva, de Margaret Atwood (Bertrand, 2017)
O Moinho à Beira do Floss, de George Eliot (Relógio D'Água, 2011)
A Noiva Indiana, de Karin Fossum (Dom Quixote, 2009)

Sofia Barros
Serviço de Documentação e Informação

Destaco o livro de Fátima Lopes, "A viagem de Luz e Quim", uma vez que esta história retrata um pouco da minha vivência numa terra de Portugal mais pequenina e onde os sonhos eram comandados pelas adversidades da vida, bem como pelos nossos pais que nos faziam guiar pelas suas pisadas e não propriamente pelos nossos sonhos.
Se o homem sonha, deve correr atrás; se demorar alcançar o sonho é porque se calhar o Universo está a fazer a sua jogada.
Sou uma pessoa que confia muito no destino, mas não deixo apenas que aconteça. Sei o que quero e para onde ir. O sonho é apenas um caminho que me propus a percorrer, contornar, recuar, e avançar no momento certo.

SUGESTÕES DE OBRAS

A vida num sopro, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva, 2008)
A viagem de Luz e Quim, de Fátima Lopes (A Esfera dos Livros, 2009)
Margarida Espantada, de Rodrigo Guedes de Carvalho (Dom Quixote, 2020)
Português suave, de Margarida Rebelo Pinto (Oficina do Livro, 2008)

Susana Medina
Serviço de Documentação e Informação
FEUPmuseu

Lembrei-me várias vezes do livro "A Montanha Mágica" durante o confinamento e fiquei com vontade de o reler, à luz da experiência vivida nos últimos meses. Um grande romance, um guia para uma viagem interior, um exercício sobre a relação com o tempo faz d’ "A Montanha Mágica" a minha primeira sugestão para as férias que se querem longas e retemperadoras.
Na minha lista estão também "O direito à preguiça", de Paul Lafargue, um ensaio sobre trabalho, lazer e qualidade de vida, produzido no contexto dos anos 80 do século XIX, e a biografia de Clarice Lispector ("Porquê Este Mundo"), escritora cujo centenário de nascimento se celebrará em dezembro deste ano.
Para algo completamente diferente, sugiro “How to Be an Explorer of the World: Portable Life Museum”. Trata-se de um pequeno guia de atividades com excelentes ideias para observar, colecionar, analisar o que nos rodeia (lugares, paisagens, sons, objetos, histórias…). Se gosta, como eu, de documentar os momentos “para mais tarde recordar”, este é “o” livro. E para despertar a curiosidade para o mundo natural, há que procurar o maravilhoso "Lá fora". Um livro muito especial para miúdos e graúdos que gostem do cheiro da terra, do canto dos grilos, de observar nuvens e estrelas e de tantas outras coisas que as férias de verão nos permitem apreciar (ainda) melhor.

SUGESTÕES DE OBRAS

A montanha mágica, de Thomas Mann (Dom Quixote, 2009)
O direito à preguiça, de Paul Lafargue (Teorema, 1977)
Porquê este mundo: uma biografia de Clarice Lispector, de Benjamin Moser (Relógio D'Água, 2017)
How to be an explorer of the world: portable life museum, de Keri Smith (Penguin Books, 2008)
Lá fora. Guia Para Descobrir a Natureza, de Inês Teixeira do Rosário e Maria Ana Peixe Dias (Planeta Tangerina, 2014)